terça-feira, 13 de agosto de 2013

Os perigos da Teologia da prosperidade.


Afinal, o que está errado com a teologia da prosperidade?

Imagem inline 5


A teologia da prosperidade pode ser entendida como um conjunto de princípios que afirmam que todo Cristão autêntico tem o direito de obter a felicidade integral, e de exigi-la.Seu desenvolvimento foi gradual desde a década de 1940, dando início através de Essek William Kenyon.
Ex-pastor das igrejas batista,Essek William Kenyon  metodista e pentecostal, influenciado por idéias de seitas cristãs/metafísicas, desenvolveu estudos que entre outras coisas tratava de: poder da mente, a inexistência das doenças e o poder do pensamento positivo. Discípulo de Kenyon,K. Hagin sofreu várias enfermidades e pobreza na juventude; Aos 16 anos diz ter recebido uma revelação quando lia Mc 11.23,24, entendendo que tudo se pode obter de Deus, desde que confesse em voz alta, nunca duvidando da obtenção da resposta, mesmo que as evidências indiquem o contrário. Isso é a essência da "Confissão Positiva". Foi pastor da igreja batista; da Assembléia de Deus, em seguida passou por várias igrejas pentecostais, e , finalmente, fundou sua própria igreja, aos 30 anos, fundando o Instituto Bíblico Rhema. As idéias de Hagin que levaram ao estabelecimento da teologia da prosperidade pode ser dividida em três pontos principais:

1) AUTORIDADE ESPIRITUAL:Segundo K. Hagin, Deus tem dado autoridade (unção) a profetas nos dias atuais, como seus porta-vozes. Ele diz que "recebe revelações diretamente do Senhor"; "...Dou graças a Deus pela unção de profeta...Reconheço que se trata de uma unção diferente...é a mesma unção, multiplicada cerca de cem vezes" (Hagin, Compreendendo a Unção, p. 7).

2)BÊNÇÃOS E MALDIÇÕES DA LEI: K.Hagin diz, com base em Gl 3.13,14, que fomos libertos da maldição da lei, que são: 1) Pobreza; 2) doença e 3) morte espiritual. Ele toma emprestadas as maldições de Dt 28 contra os israelitas que pecassem. Segundo essa doutrina, o cristão tem direito a saúde e riqueza; diante disso, doença e pobreza são maldições da lei. Eles ensinam que "todo cristão deve esperar viver uma vida plena, isenta de doenças" e viver de 70 a 80 anos, sem dor ou sofrimento. Quem ficar doente é porque não reivindica seus direitos ou não tem fé. E não há exceções. Pregam que Is. 53.4,5 é algo absoluto. Fomos sarados e não existe mais doença para o crente. Os seguidores de Hagin enfatizam muito que o crente deve ter carro novo, casa nova própria, as melhores roupas, uma vida de luxo.

3. CONFISSÃO EXPOSITIVA: É o terceiro ponto da teologia da prosperidade. Ela está incluída na "fórmula da fé", que Hagin diz ter recebido diretamente de Jesus, que lhe apareceu e mandou escrever de 1 a 4, a "fórmula".
Se alguém deseja receber algo de Jesus, basta segui-la:

1) "Diga a coisa" positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo. De acordo com o que o indivíduo quiser, ele receberá". Essa é a essência da confissão positiva.

2) "Faça a coisa". "Seus atos derrotam-no ou lhe dão vitória. De acordo com sua ação, você será impedido ou receberá".

3) "Receba a coisa". Compete a nós a conexão com o dínamo do céu". A fé é o pino da tomada. Basta conectá-lo.

4) "Conte a coisa" a fim de que outros também possam crer". Para fazer a "confissão positiva", o cristão dever usar as expressões: exijo, decreto, declaro, determino, reivindico, em lugar de dizer : peço, rogo, suplico; jamais dizer: "se for da tua vontade", pois isto destrói a fé.

TEOLOGIA DA PROSPERIDADE NO BRASIL


Os ensinos de Hagin influenciaram um grande número de pregadores norte-americanos, a começar de Kenneth Copeland, seu herdeiro presuntivo. Outros seguidores seus foram Benny Hinn, Frederick Price, John Avanzini, Robert Tilton, Marilyn Hickey, Charles Capps, Hobart Freeman, Jerry Savelle e Paul (David) Yonggi Cho, entre outros. Em 1979, Doyle Harrison, genro de Hagin, fundou a Convenção Internacional de Igrejas e Ministros da Fé, uma virtual denominação. Nos anos 80, os ensinos da confissão positiva e do evangelho da prosperidade chegaram ao Brasil. Um dos primeiros a difundi-lo foi Rex Humbard. Marilyn Hickey, John Avanzini e Benny Hinn participaram de conferências promovidas pela Associação de Homens de Negócios do Evangelho Pleno (Adhonep).


No Brasil a primeira e principal igreja seguidora dessa doutrina é a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), fundada em 1977 por Edir Macedo que adaptou as suas práticas para as características brasileiras, além de possuir metodologias e princípios próprios. Em vez de ouvir num sermão que "é mais fácil um camelo atravessar um buraco de agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus" (Mateus 19,24 e Marcos 10,25), agora a novidade reside na possibilidade de desfrutar de bens e riquezas, sem constrangimento e com a aquiescência de Deus.Para os pobres e desafortunados de uma em maneira geral, o direito de possuir as bênçãos como filho de Deus traz alívio e esperança na solução de todos os seus problemas. Segundo Edir Macedo, Jesus veio pregar aos pobres para que estes se tornassem ricos. Arrependimento e redenção, tema central no Cristianismo, e as dificuldades nesta vida para o justo de Deus são temas raramente tratados. Além da IURD temos as Igrejas Renascer em Cristo, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, Nova Vida, Bíblica da Paz, Cristo Salva, Cristo Vive, Verbo da Vida, Nacional do Senhor Jesus Cristo e pelas organizações Adhonep, Missão Shekinah e Internacional da Graça de Deus, e é lamentável citar, mas algumas igrejas Assembléia de Deus estão aderindo a essa teologia.

 Concluo afirmando que além de apresentar ensinos questionáveis sobre a fé, a oração e as prioridades da vida cristã, e de relativizar a importância das Escrituras por meio de novas revelações, a teologia da prosperidade, através dos escritos de seus expoentes, apresenta outras ênfases preocupantes no seu entendimento de Deus, de Jesus Cristo, do ser humano e principalmente da salvação, estamos convictos de que essa "teologia" é uma estratégia de Satanas contra a igreja de Cristo, e com isso multidões tem sido atraídas pelo  que a teologia da prosperidade tem oferecido: " O céu na terra" tem agradado muitos, portanto como cristão luto e aconselho a todos a lutarem pelo o evangelho simples, puro, sem mesclas onde o centro é Cristo para que no final de todas as coisas nos restar a Coroa da Justiça, a qual o Senhor, justo juiz nos dará naquele Dia, como Paulo escreve em 2Tm 4,8. Lutemos contra este câncer.

Deus abençoe a todos e a graça seja convosco.
Amém.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O NOVO TEÓLOGO DA VEJA

Isaltino Gomes Coelho Filho
Vi aqui
                Assino a “Veja” há anos. Gosto de lê-la e sua chegada em casa (em Macapá, três ou quatro dias após surgir nas bancas – se o entregador não erra o endereço) é bem saudada. Junto com outras publicações, ela defende um Estado soberano, democrático, de leis e ordem, que alguns que pensam em democracia como a imposição de suas idéias rejeitam (os que sabem o que é melhor para o povo – na melhor aristocracia platônica, mas de esquerda). São os que querem a democratização da imprensa (controlada pela máquina partidária) e que falam em monopólio da informação, esquecidos que monopólio alude a um, e que havendo muitos poderia, na pior das hipóteses, se chamar oligopólio. Nem a língua portuguesa o pessoal saber usar.  Bem, há quem goste de “muito pouco”, ao invés de “pouquíssimo (se algo é pouco não é muito).
                 O problema são alguns colunistas que desejam teologar. Acho isso incrível. A turma não quer a Igreja Católica e as igrejas evangélicas opinando sobre a vida secular, mas quer o direito de ditar à Igreja e às igrejas uma agenda. Querem um estado leigo (o que quero também), mas querem uma igreja secularizada.
Primeiro foi Maílson da Nóbrega, que saindo de sua área de conhecimento, Economia, onde é muito bom, postou o artigo “Falácias e verdades”, na “Veja” de 26.9.11. Afirmou que a Bíblia dizia que o Sol girava ao redor da terra e assumiu a versão burlesca e falsa do julgamento de Galileu, que teria murmurado entre os dentes “Mas ela se move”. Mentira e burla que detratores da Igreja espalharam. O Dr. Maílson alcandorou à esta patacoada o senso de fato. Respondi-lhe no artigo “Falácias e verdades ou: Maílson da Nóbrega, pergunte antes de afirmar” (ver no site www.isaltino.com.br).
Impressiona como as pessoas falam bobagens sobre a Bíblia, sobre o cristianismo e sobre a Igreja e as igrejas sem conhecer nada. Meu desencanto total com a maçonaria se deu com a leviandade habitual de um “maçonólogo” (cada uma que aparece!) que escreveu um artigo ridículo sobre o Livro de Enoc, como eles grafam, com um monte de tolices, ignorâncias e mentiras tão grotescas que só fanatizados aceitam. Ignorante de que há vários livros atribuídos a Enoque, o autor fala de um só, que a Igreja tirou do cânon porque ia contra sua posição teológica. Poucas vezes, em tão poucas linhas, vi tanta bobagem junta. Enviei uma carta à redação da revista e entreguei cópias a vários maçons de destaques. Como uma instituição que diz prezar a verdade publica tanta bobagem, com ar de pesquisa? O maçonólogo, que não é “verdadólogo”, continua ditando escrevinhação! Isso me aborrece! O mundo é medíocre, inculto, desconhece fatos e insiste em afirmar abobrinhas em alto e bom som!
Na “Veja” de 7.8.13, J. R. Guzzo escreveu “Pensamento simples”. Assume o papel de “teólogo” que dita à Igreja uma agenda que ele acha correta. Uma questão deve ser estabelecida desde o início: a Igreja é a única instituição sobre a face da terra que reivindica autoridade divina. Se o pessoal concorda ou não, se gosta ou não, não vem ao caso. Mas se a Igreja e as igrejas perderem essa noção de substância, nada podem fazer. Nivelam-se a qualquer outra instituição. Sequer merecem o espaço que lhe dão. Não compete aos de fora ditarem a agenda da Igreja e das igrejas. Parece-me com a postura do “cristianismo alemão” e das igrejas controladas em países comunistas: “Vocês pregam o que nós dizemos”. Não querem os palpites da Igreja? Recusem-nos. Mas não deem seus palpites à Igreja.
Guzzo afirma que a Igreja deve cumprir o Sermão da Montanha, que ela nunca cumpriu, e que é “o texto mais importante do Evangelho”. Ele deve possuir um “importantômetro”, que mede o grau de importância das passagens bíblicas. E não deve ter lido todo o Novo Testamento para uma visão global de seu ensino, e assim não entendeu o Sermão do Monte quando o leu. Sua função, no evangelho de Mateus, é mostrar aos cristãos de pano de fundo judaico, que a antiga ordem já passou. “Moisés disse” é trocado por “Eu, porém, vos digo”. “Ouvistes” é substituído por “Mas eu vos digo”. Jesus estabelece que é o seu ensino e não a bagagem passada que deve ser carregada. Tanto que o ponto de julgamento (Mt 7.24-27), não é mais a Torah,  a lei dos judeus, mas “estas minhas palavras”. Findo o sermão, a multidão se admira da qualidade do seu ensino, em oposição aos dos fariseus, cerne teológico do judaísmo. Estes transformaram a religião em matéria de ritos, gestos, roupas pomposas, celebrações teatrais. Jesus a traz para o interior. “Tu, porém, entra em teu quarto”.  Até o “Pai nosso” deveria ser recitado na vida privada, e não na praça. Jesus internalizou a religião, tirando-a da gestualidade teatral que inclusive sucede nas viagens papais e em algumas seitas neopentecostais, em que a entrada do pastor é saudada com o toque do shophar, cena para lá de grotesca!
Lendo todo Mateus, Guzzo terá uma noção melhor do papel do sermão do monte, por que está ali, enquanto que, em Lucas, se localiza em outro momento histórico. Os dois evangelistas usaram-no em seus contextos literários, inserindo-os como parte (e não a totalidade) da mensagem cristã, mostrando que sua ética permeia o evangelho, mas não é a essência do evangelho.
Ao dizer que ela nunca cumpriu o Sermão da Montanha, ele ignora fatos. A Igreja teve falhas enormes, mas humanizou o mundo. Quantos hospitais, trabalhos com hansenianos, ajuda a mendigos, e apoio a necessitados a Igreja e as igrejas têm cumprido! Guzzo ignora a luta social de Wilberforce. Ignora Madre Teresa da Calcutá. Ignora Martin Luther King Kr, com sua resistência pacífica, tirada do Sermão. Quando a polícia veio agredir os negros, King mandou que se sentassem e apanhassem. Ali eles venceram! Guzzo ignora Visão Mundial, Compassion, o trabalho de Charles Colson pela humanização dos presídios. Ignora Schweitzer, ambulatórios e escolas para carentes feitos pela Igreja e pelas igrejas. Até mesmo a Ordem Franciscana. Ignora que o trabalho dos batistas tirou mais gente do crack que a política de tolerância governamental. Que nossos orfanatos mudaram o destino de mais crianças que a Fundação Casa. Vamos fazer um levantamento?
Lendo o Novo Testamento, Guzzo verá que o mais importante da Bíblia não é sua ética, mas a obra de Jesus Cristo efetuada na cruz. Pode não gostar disso, mas não faz diferença porque é isso. Não gosto de Marx, mas não posso dizer que Marx ensinou o que eu acho que ensinou, e que destoa do que ele escreveu. Os quatro evangelhos terminam com a morte e a ressurreição de Jesus. As cartas do Novo Testamento, bem como o livro de Atos tratam deste assunto, como sendo a culminância do judaísmo e o tema central do cristianismo. O judaísmo é o vinho velho. Em Jesus chega o vinho novo. Paulo disse que o evangelho é isto: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras e ressuscitou dos mortos segundo as Escrituras”. O mais importante na Bíblia, Sr. Guzzo, é a pessoa de Jesus, e não uma parte de seus ensinos. A igreja de Cristo foi fundada com base nesta pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Não foi “Que achais do Sermão do Monte?”.
O autor encerra o artigo falando sobre o Sermão da Montanha: “’… é nele que Cristo ensina que o homem tem que ser honesto, tolerante e generoso, tem de dizer a verdade, saber perdoar e buscar a justiça, viver em paz e amar o próximo”. Jesus não precisaria vir o mundo para dizer isto. Foi dito no Antigo Testamento, e com muito mais ardor pelos profetas que por ele. Dizem as pessoas sem muita noção: “Ele foi morto porque pregou o amor e a paz”. Engano. Para que morrer por dizer isto se isto fora dito milhares de vezes, antes? Ele ensinou a si mesmo, não uma verdade atrás da qual se escondeu. Lendo os evangelhos, se verifica que o tema de Jesus foi Jesus. Praticar sua ética é consequência de crer em sua pessoa e comprometer-se com ela.
Quanto à tolerância com gays, a opção pelo celibato e a negação do concubinato (viver com outra pessoa sem ser casada com ela – políticos casados não têm mais amantes, mas namoradas), desculpe. Sr. Guzzo, não lhe compete dizer à Igreja o que fazer. A questão não é “não pode isso não pode aquilo”. A questão é de valores que a Igreja adotou, e em que sua cosmovisão fazem sentido (as questões de varejo) porque mexem na questão do atacado. Não é tão simples assim. Não entender isso é ser simplório. A Igreja teria que mudar em cada geração, perderia sua autenticidade, voaria ao sabor dos ventos, nada teria a dizer ao mundo. O simples é isto: ela é voz de Deus ou eco da voz dos homens?
Sobre seu argumento que parece ser o desencadeador da argumentação, quando o Papa diz que “Se uma pessoa é gay, procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”. É uma pergunta retórica. Qualquer um pode buscar ao Senhor. É óbvio. Mas há comportamentos que a Bíblia diz que o Senhor não aceita. E a Igreja e as igrejas não têm autorização para uma nova Bíblia. Soa confuso? É simples: a Igreja não se vê como uma ONG criada para satisfazer as pessoas e massagear seu ego. Ela tem valores muito ricos, que vêm de milhares de anos, não pode se pautar pelas novidades que surgem. Ela já foi usada, indevidamente, para defender a escravidão e a violência. Como a frase de José de Anchieta: “espada e vara de ferro, que é a melhor pregação”. O contexto cultural de Anchieta adaptou a mensagem do evangelho. A Igreja de verdade, muitas vezes, terá que ir contra a cultura vigente. O verdadeiro evangelho refuta essas práticas. Como o infanticídio, a poligamia e o canibalismo eram práticas sociais aceitas e saudáveis, até que o evangelho as condenou. Sempre haverá choque entre os valores da Igreja e os do mundo. Por causa da maciça propaganda gay, o homossexualismo está em alta. Quem discorda (mesmo sem combater) é homófobo. Parece que a única virtude válida hoje é a tolerância, vista como uma caminhada na direção da ditadura do pensamento único, que abole a concepção de democracia. Só que a tolerância é sempre com os do mesmo lado. Podemos ser chamados de ”fundamentalistas” por gente que sequer sabe a origem do termo. Mas se chamarmos alguém do outro lado de “devasso”, estamos em maus lençóis. Se discordo de alguém, sou preconceituoso. Se alguém discorda de mim, usa de seu direito de expressão. É a pasteurização conceitual.
O que querem não é a humanização da Igreja, mas seu amordaçamento. Ela é vista como quem deve apoiar tudo o que os homens fazem, pois sua função é tornar pessoas felizes. Isso é ser simplório. Adaptar a mensagem do evangelho às épocas e aos quereres humanos simplesmente a aniquilaria. Se é para dizer que tudo é certo e que podem fazer o que quiserem que a Mamãe Igreja perdoa os filhinhos, ela não é necessária. Em tempo, sou protestante. A igreja não me é mãe, mas irmã.
A Igreja e as igrejas não devem buscar popularidade e aplauso do mundo. A multidão que gritava “Hosana ao Filho de Davi”, menos de uma semana depois gritava “Crucifica-o!”. Como ministro religioso não busco aplausos. Nem do rebanho que Deus me confiou. Busco ensinar o que a Bíblia diz. As pessoas devem obedecê-la e não tenho autoridade para ajustá-la ao querer humano. Quem não concordar não concorde. Da mesma forma com a Igreja. Quem não concorda com ela, paciência. O que não se pode é ter uma Igreja para cada tipo de pessoa. A concepção dominante, aqui, é o conceito de Igreja. Ela tem origem espiritual, com valores eternos, ou é uma instituição humana? Ela tem uma mensagem da parte de Deus aos homens ou é um organismo que toma decisões pela opinião pública e assim revê seus valores pelo viés da vontade humana? É a Bíblia ou o Ibope?
Críticos da Igreja e das igrejas: vocês já tentaram ouvir? Já lhes passou pela cabeça que podem estar errados e que devem acatar a primeira mensagem da igreja cristã? Em tempo: a primeira mensagem da igreja cristã não foi o amor, mas o chamado ao arrependimento, à mudança de atitudes e uma nova vida com Deus. Já pararam para pensar que devem mudar de vida? Há uma possibilidade mínima de que estejam errados, em seu culto a si e aos seus desejos?
Releia o Sermão da Montanha, Dr. Guzzo. Leia as cartas do Novo Testamento. Veja o todo para entender a árvores. Absolutizar o ensino do Sermão da Montanha é ver uma folha e pensar que viu a floresta.
Meus respeitos. Já li muito do senhor, e admiro sua competência. É a primeira coluna que leio na Veja.  Continuarei lendo e respeitando como intelectual que me instrui. Continuo lendo Maílson da Nóbrega. Que é competente. Só não leio mais o Xico Trolha por causa do seu Enoc. Deste pulei fora. Leviandade me agasta.

Do meu leito, na Unimed de Macapá,
Isaltino Gomes Coelho Filho

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Indignado com os pregadores pentecostais

É claro que com essa afirmativa não quero generalizar, sei que dentre esses existem Micaias, que profetiza aquilo que não é segundo a vontade humana mais sim a de Deus.
Recentemente vi no youtube alguns vídeos que me deixaram profundamente triste, e indignado ao mesmo tempo. Eram vídeos que tem como intuito causar avivamento espiritual na igreja. Entretanto, as mensagens e os louvores na maioria das vezes eram de autoajuda, antropocêntricos e vingativos.
Pode ser que você não saiba o que significam essas três palavras, então tentarei explicar.

Autoajuda – Tem a ver com mensagens positivistas, onde o crente é levado a acreditar que é uma espécie de super-homem ou mulher maravilha. Palavras como: Você pode, acredite que você é capaz, pense positivo, campeão e tantas outras fazem com que os crentes voem de tanta ilusão.

Antropocêntrico – Quer dizer homem no centro. É inevitável que depois de palavras como as que citei antes, o homem não venha ser centralizado. Com o homem no centro o culto perde o sentido, pois geralmente os valores acabam se invertendo, Cristo e o seu evangelho que eram para ser o centro das mensagens acaba por ficar em segundo plano. Por que? Porque para esses interesseiros tal mensagem não tem ibope, não traz fama e muitos menos convites em conferencias proféticas, congressos de avivamento etc.

Mensagens vingativas – Essas mensagens são aquelas que esses pregadores da contenda gritam que aquele que te viu no chão vai vê-lo de pé, o seu inimigo (que é o próprio irmão) irá ver a sua vitória, e eles ainda colocam Deus no meio quando dizem que Deus irá exaltar você para calar a boca de no sei quem e por ai vai.
Acredito que não é preciso esmiuçar essas três palavras, pois com certeza se você for pentecostal ira se familiarizar com o que eu tentei explicar rapidamente.

            Pode ser que alguém esteja se perguntando. O que então iremos pregar? Ou Quais tipo de pregação que devemos ouvir?
Confesso que não sei se rio ou choro, pois se alguém faz tal pergunta mostra como a igreja pentecostal está defasada, carente e desinformada.
Acredito que muitos desses pregadores tenham lido o livro Heróis da Fé, nele se encontra vários homens compromissados com a mensagem do evangelho, a qual através dela trouxe grandes avivamentos.

Um desses heróis que me aprofundei em conhecer foi John Wesley, li a sua biografia e fiquei embasbacado ao saber que ele pregava três vezes no dia. Também tive acesso aos seus sermões, que eram mais um espécie de pequeno livro do que um esboço. Que vergonha!

Ao ler os sermões notei uma grande diferença da mensagem que Wesley pregava e que mudou o país da Inglaterra, das nossas pregadas em nossos púlpitos. Foi então a partir daquele momento que comecei entender que a mensagem que trouxe o avivamento tão falado, eram mensagens como aquela, com isso não quero dizer que basta só pregar tal mensagem, sabemos que temos que orar como esses homens oravam.

É possível que tenha pessoas perguntando que mensagens eram essas, sobre o que elas falavam, o que acontecia quando ele pregava essas mensagens?

Por enquanto irei deixa-los curiosos, falarei melhor sobre isso em outro artigo especificando o que vi naqueles sermões valiosos de John Wesley, e assim refutarei de maneira contundente os pregadores que insistem em traírem a confiança de Deus pregando aquilo que ele não ordenou.

Jean Patrik

sábado, 3 de agosto de 2013

Teólogos Pregadores ou Pregadores não Teólogos?

Desmistificando Mitos Pentecostais


Na época que estava me graduando em teologia, um professor meu (Alex Belmont) a quem tenho muita estima, falou na sala mais ou menos isso: “Acredito em teólogos pregadores, mas não em pregadores não teólogos”.
Aquilo me chocou, trazendo um certa confrontação, pois como pentecostal, devo o crescimento da minha igreja a muitos pregadores leigos, embora fossem leigos, eram ávidos leitores da Bíblia. Entretanto, quando as igrejas pentecostais cresceram (principalmente as Assembleias de Deus) ficamos bem fragilizados com os novos modismo e teologias que surgiam com passar dos anos.

A negligencia com a teologia, que acabou virando praticamente uma cultura pentecostal (principalmente no meio assembleiano) iria trazer sérios danos ao pentecostalismo.
Com isso não quero dizer que não havia um filtro contra as heresias e modismo. No entanto, esses filtros só servil para neutralizar heresias e modismo já conhecidas e fartamente bem refutadas no senário cristão.
Com o passar dos anos os novos modismo e algumas heresias acabaram passando despercebidos.

Acredito que isso só foi possível por duas coisas:

1° Por a maioria esmagadora dessa época não serem treinados em teologia;
2° Por grande parte desses desvios terem surgidos em nosso meio.

Com à aceitação desses desvios surgiram os Neos-Pentecostais (novos pentecostais) detentores da Teologia da Prosperidade (triunfalismo, imediatismo, antropocentrismo).

Os extremos, o grosso, os nossos mestres extirparam em muitos púlpitos pentecostais, mas nos lugares onde a teologia era rejeitada ao discurso de que a letra (no caso a teologia) mata, onde o experiencialíssimo e o sensacionalismo falavam mais alto, tais práticas continuaram.

Muitos pastores de igreja e pregadores itinerantes não deram ouvidos a sua razão, e foram terrivelmente levados pelas suas emoções ao serem influenciados por pregadores como Benny Hinn, Kenneth Hagin, Avivamento de Toronto e tantos outros. Era inevitável que uma vez tendo lideres despreparados, seriam presas fáceis para tais movimentos.

Ninguém nega que as igrejas pentecostais tinham uma qualidade apreciada no meio da cristandade, que era o evangelismo, a oração e o zelo em questões morais (sendo muitas vezes extrema). Entretanto, faltava-lhe o preparo teológico como já dissemos mais acima.

Os saudosos pastores Bernhard Johnson fundador da EETAD (Escola de Educação Teológica das Assembleias de Deus) e João Kolenda Lemos fundador do IBAD (Instituto Bíblico das Assembleias de Deus) plausivelmente fizeram um trabalho que contribuiu imensamente para o crescimento da teologia no pentecostalismo assembleiano. Mas foi as inúmeras vezes que eu mesmo presenciei pregadores falando mal desses cursos, fazendo uma caricatura que impediu muitos crentes de terem um entendimento melhor da Palavra de Deus.

O que é curioso é que esses homens estão na memória das Assembleias de Deus como “grandes homens de Deus” e os tais eram teólogos. Talvez não tão profundos, não sei, mas a questão é que esses homens soube usar o útil com o agradável.

Anos atrás li o livro de Orlando Boyer – Heróis da Fé – fiquei impressionado ao saber anos à frente que os grandes avivalistas eram grandes teólogos, salvo algumas exceções. Homens que passavam horas debruçados na Bíblia e nos livros e longos momentos em oração. Muitos deles como John Wesley, Jonthan Edwards, Charles Spurgeon eram teólogos pregadores.

Hoje temos no maior evento missionário pentecostal (GMUH) os pregadores que são considerados os mais conceituados no meio assembleiano. E pra minha tristeza a maioria desses pregadores são no mínimo triunfalistas e imediatistas. Muitos desses não sabem nem o que significa tais terminologias, como saberiam refutar e filtrar tamanha heresia e modismo?

Em contrapartida, alguns são mestres, bacharéis em teologia, mas com o mesmo discurso que faz parte da Teologia da Prosperidade. Isso é no mínimo intrigante, pois os tais sabem que os que eles pregam não é uma mensagem cristocêntrica e doutrinária (lembrando que os grandes avivamentos foram frutos de pregações doutrinarias) mas o oposto disso.

Diante disso é feito a pergunta: Se eles sabem que é errado, por que pregam?

Quem estuda sabe que as mensagens neo-pentecostal são de auto-ajuda, mensagens que massageiam o ego. Essas mensagens são facilmente aceitas da grande massa que ingenuamente confiam cegamente em tais pregadores sem fazerem prova bíblica e hermenêutica do que estão ouvindo. Não culpo de fato o ouvinte, mas culpo o pregador que sabendo a verdade, prega a mentira. 

Esses pregadores estarão no grupo que o nosso Senhor Jesus disse em Mateus 7.23.

Olhando por essa perspectiva é que entendo que a igreja precisa de Teólogos Pregadores e não de Pregadores que não sejam teólogos.

Por conta disso é que eu e meus colegas iremos tratar desses assuntos separadamente, pois o que fiz aqui foi levemente uma leitura resumida do que vem acontecendo no meio pentecostal.

Quem somos?
Somos os Teólogos Assembleianos!

Em Cristo,
Jean Patrik.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Eyshila desabafa sobre luta contra drogas do marido

A cantora Eyshila contou detalhes do início do seu matrimônio surpreendentes. Em seus primeiros anos de casada, a cantora vivenciou uma luta desenfreada com seu marido por seu vício em drogas. Aos 17 anos, Eyshila conheceu Odilon Santos, hoje pastor. Segundo o site, depois de um tempo em que se conheceram decidiram namorar, mas foi nesse momento que as lutas começaram.

Eyshila, mais nova contratada da Central Gospel, dirigida pelo pastor Silas Malafaia, diz que chorou todas as noites durante seu primeiro ano matrimonial, num emocionante relato divulgado pelo site da Igreja Batista Lagoinha.
“Para mim era um sonho se concretizando, mal sabia o que me aguardava. Com o passar do tempo fui percebendo algumas atitudes diferentes. Ele faltava a alguns compromissos, chegava atrasado, e às vezes percebia um cheiro diferente na sua roupa, como de cigarro”, detalha a cantora.
Após um ano de relacionamento, ela descobriu que Odilon era viciado em drogas. A família dele procurou Eyshila e explicou tudo sobre o vício do namorado. Ela decidiu continuar o relacionamento.
“Não contei nada a ninguém e fui suportando a situação, mas com o passar do tempo as pessoas foram percebendo”, explica.
Odilon Santos se internou em uma clínica, e após a saída dele e melhora o casal decidiu se noivar, tendo o apoio da família. Porém o jovem teve uma recaída, e o relacionamento terminou.
Após a separação, Eyshila também se afastou de Deus, e conta que se rebelou. “Foi um tempo em que eu me afastei da presença de Deus e me rebelei. Fui conhecer o ‘mundo’ mesmo cantando no grupo Altos Louvores. Passei a ter uma vida dupla. Era como se a minha revolta estivesse superado o meu temor a Deus. Cantava na igreja e depois dançava na boate (É triste porque isso acontece muito hoje na Igreja)”.
Em determinada ministração, a amizade com Fernanda Brum, outra cantora gospel, começou e a vida espiritual de Eyshila começou a tomar outro caminho. Após 2 anos de separação de Odilon, ele a procurou pois estava à procura de uma esposa. Então começaram a buscar de Deus uma confirmação para este relacionamento.
“Quando ele recebeu a resposta de Deus, resolvemos nos casar. Faltavam dois meses para unirmos as alianças, quando ele teve novamente outra recaída. A pior de todas. Não contei nada a ninguém e me casei acreditando na promessa que Deus estaria conosco”.
No dia 9 de dezembro de 1995, Eyshila e Odilon entraram em matrimônio. “Desta data até completar um ano de casada, chorei todas as noites. Logo quando nos casamos ele disse: ‘Já tentei sair das drogas, tentei, e não vou conseguir sair nunca. Então você decide ficar casada com um viciado ou se separa. Não vou largar as drogas. Eu gosto e me sinto bem. Tanta gente no meio artístico consegue continuar vivendo assim, então, vamos conseguir.’”
Segundo o site da igreja, Eyshila não aceitou essa situação e resolveu consagrar totalmente seu lar a Deus, mesmo sabendo que seu marido estava usando cocaína. No meio de tudo isso, Eyshila recebeu convite de gravação de seu primeiro CD, pela MK Music.
“Uma das músicas que estaria no novo CD seria a canção “Tira-me do vale”. Então fui ao banheiro da gravadora e disse a Deus: “Como eu vou cantar essa música se ela ainda não é verdade na minha vida? Como vou cantar essa canção se eu tenho vivido no vale desde o início do meu casamento? Dá-me um sinal de que há esperança. Eu não aguento mais!” relata.
Entretanto, depois disso, a cantora disse ter tido novas experiências. “Senti que Deus faria algo. Então cheguei em casa de madrugada e ele novamente não estava (geralmente estava no morro neste horário). Mesmo não o vendo no nosso lar, senti uma confiança no coração.”
Eyshila disse que foi tocada pelo Espírito Santo para orar por seu marido. “O Espírito Santo me tocou para orar pela vida dele. Fiquei em oração por ele.”
Segundo ela, seu marido havia voltado em uma madrugada depois de ter decidido morrer e lhe implorou para orar por ele. “Eyshila, é para você orar pedindo a Deus para me levar ou me libertar, porque do jeito que estou eu não aguento mais”, contou a cantora.
Depois desse momento, veio a transformação. Odilon nunca mais usou drogas. Ele foi consagrado a diácono em sua congregação e depois a pastor. “Fui até a casa de sua mãe, e vi que estavam todos reunidos. Havia muita alegria e presença de Deus na casa. Olhei para o Odilon e vi que ele era outra pessoa. Havia sido renovado no Espírito Santo e liberto de tudo.”
Odilo, hoje, dirige uma filial da igreja e tem a colaboração de Eyshila com o trabalho ministerial. Eyshila gravou recentemente seu CD “Jesus, o Brasil te adora”. Na música Profetiza, a cantora homenageia os pais de Odilon por tudo o que passaram também nessa luta de anos contra as drogas do filho, e todas as pessoas que passaram por situações semelhantes.
Fonte: The Christian Post | Divulgação: Midia Gospel
Midia Gospel

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Teologia Joanina


Introdução
Nesse artigo veremos qual era o propósito do apóstolo ao escrever esse evangelho, identificaremos as teologias contidas nele, comentaremos acerca de alguns acontecimentos escritos pelo autor e mostraremos os seus motivos.


·     Prólogo (Jo.1.1-18)

No prólogo João faz uma espécie de introdução do seu evangelho, um primeiro ato que muitos chamariam de começo de um drama. E ele começa: “No Principio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. (Vs.1NVI)”.
É bem provável que já no inicio do seu evangelho João estaria respondendo e refutando uma seita denominada de gnosticismo, seita que acreditava e pregava que Jesus era apenas um dentre muitos aeons, (ou emanações angelicais) que segundo eles seria um dos muitos salvadores e pequenos deuses que existia, mas em sentido algum seria divino como Deus é. Antes ele seria apenas um aeon que participava em parte dos atributos da essência divina. Eles acreditavam nisso por descartarem um Deus em forma humana, já que consideravam o corpo (carne literalmente) uma matéria corrompida.

Para tanto João cita várias palavras fortes relacionadas a Jesus como o Cristo, que servirá para expressar a sua teologia: Verbo, Deus, Vida, Luz, Graça, Verdade Etc. E no verso 14 João narra: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. Com certeza seria uma resposta para esses que descreditavam a divindade de Jesus, e achavam impossível o Cristo ser tornar homem, mitos chamaram esse processo de “Mistério da Encarnação”.
Mas adiante João revela de maneira sutil o que Jesus passaria por ter sua autoridade como Messias questionada, e por isso ele começa apelando para o profeta João Batista (vs.15) .

·     A preparação de Jesus para o ministério público (1.19-51)


Após o prólogo (1.1-18) o apóstolo descreve como foi à preparação do ministério de Jesus através da pessoa de João Batista o profeta, e através do testemunho do profeta novamente o apóstolo tem o cuidado de apresentar a Jesus como o cordeiro de Deus, o Cristo o Messias (1.29; 1.24), isso se comprova quando João o profeta ao testemunhar novamente sobre Jesus (1.36), dois dos seus discípulos ao ouvirem isso passam a seguir a Jesus e a testemunhar dele como o Messias, veja o que André fala a respeito de Jesus depois de esse ter andado pouco tempo com ele: “Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João, e o haviam seguido. 

Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo) (1:40-41).  Note que André fala com grande convicção acerca de Jesus como sendo o Messias a qual tanto esperavam. Não há duvida que um dos maiores propósitos que o apóstolo queria provar era a de que Jesus seria o Messias (o Cristo), mas isso é só o começo que deixa-nos maravilhados ao estudar o evangelho de João.


·     O ministério público de Jesus (2.1-4.54)


Depois de o apóstolo ter mostrado Jesus como o Messias através do testemunho do profeta João Batista, ele agora tenta mostra-lo como aquele que faz milagres.
Mas antes é importante lembrarmos que somente dois dos discípulos de João foram que seguiram Jesus, isso é meio estranho, pois já que João havia dito que ele não era o Messias, e testemunhado acerca de Jesus como Messias, os seus discípulos deveriam de imediato seguir a Jesus, entretanto não fora isso que acontecera tendo maioria deles permanecido com João. Isso gerou um problema mais a frente, pois esses que ficaram, queriam comparar Jesus com João onde ouve uma discursão com um  certo judeu anônimo, e enciumados diziam: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo batizando, e todos vão ter com ele” (Jo 3:26). O profeta percebendo o perigo tem que dizer novamente que ele não é o Cristo, então responde:
“O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu.                                                                                                                                  Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele.                                                                                                                        Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim, pois, já este meu gozo está cumprido.               É necessário que ele cresça e que eu diminua.                                                                   Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos.                                                                                    E aquilo que ele viu e ouviu isso testifica; e ninguém aceita o seu testemunho.                        Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro.                                   Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o Espírito por medida.                                                                                                                                                 O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou em suas mãos.                                                       Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (3.27-36).

É bem provável que o apóstolo ao fazer essas citações, estaria consolidando algo que eles negligenciaram isso fica mais claro quando no capítulo dezenove de atos Paulo encontra discípulos de João, mesmo esse já tendo morrido.
Voltando, o apóstolo tenta mostrar a divindade de Jesus como aquele que faz milagres ele começa relatando o que nós consideramos como o primeiro milagre de Jesus. Nesse episódio Jesus está em uma festa de casamento e culturalmente essas festas duravam cerca de uma semana, nesse caso a família dos noivos deveriam cuidar que durante esse tempo não faltasse mantimentos para os convidados, pois se não seria um grande constrangimento, podendo ocasionar em uma multa para o casal, mas infelizmente o vinho acabou e a mãe de Jesus veio avisa-lo, é provável para que Maria ao avisa-lo estivesse preocupada com o casal que por sinal deveriam ser amigos ou conhecidos dela. Indo direto para o milagre, Jesus sente que o tempo do seu ministério era chegado, então ele faz o seu primeiro milagre Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele (2:11)”
Considerando que esse seja o primeiro sinal de Jesus comprova inequivocamente que as fábulas e mitos de que Jesus havia feito sinais na sua infância não passam de mentiras.
Tendo ele decido de Caná para Jerusalém operou ali muito outros sinais a qual o apóstolo não relata e muitos creram n’Ele (2.23), mas a bíblia diz que Jesus não tinha confiança na crença deles, pois Ele conhecia os corações e não havia necessidade que alguém lhe falasse acerca dos pensamentos do homem. Semelhante aos dias de hoje, existem muitos que até acreditam em Jesus, estão nas igreja, louvam a Deus, andam com uma bíblia de baixo do braço, e muitos desse são crentes, porém crentes não salvos, pois não entendem a essência do evangelho, e por não conhecerem a verdadeira mensagem do evangelho encontram-se perdidos na casa do Pai.
No capitulo 3.1-21 vemos um diálogo entre Jesus e um mestre fariseu chamado Nicodemos, e o apóstolo ao mostrar esse diálogo tinha um objetivo de mostrar mais uma vez quem era realmente Jesus, principalmente para os judeus que até então relutavam veementemente contra a ideia de que Jesus ser o Messias.
É bem provável que Nicodemos tenha ido a Jesus depois de ter presenciado os seus milagres 2.23, se me perguntasse qual era a intenção de Nicodemos ao procurar Jesus, não saberia responder.
Outro relato importante acerca do ministério público de Jesus está no capitulo 4.1- 42, onde Jesus esteve depois de ter que ser retirar (vs.3) para Galiléia tendo passado antes por Samaria. O interessante é que os Judeus não se davam com os samaritanos, para melhor compressão deixarei  Wiersbe falar:
“Os samaritanos eram uma raça mestiça, parte judia e parte gentia, que havia se formado durante o cativeiro assírio das dez tribos do norte a partir de 727 a.c. Rejeitados pelos judeus por não poderem provar sua
genealogia, os samaritanos estabeleceram seu próprio templo e cultos religiosos no monte Gerizim, o que só serviu para aumentar o preconceito. A aversão dos fariseus pelos samaritanos era tal que oravam para que nenhum samaritano fosse revivido no dia da ressurreição! Numa tentativa de insultar Jesus, seus inimigos o chamaram de samaritano(Jo 8:48).” [1]

É importante compreendermos o porque de Jesus está naquele local desapropriado para judeus e qual a sua finalidade. Provavelmente o apóstolo estaria passando uma mensagem nesse episódio, e essa mensagem seria de que a salvação não estaria restrita a um povo peculiar, mas a todos que aceite a mensagem do evangelho, com isso o apóstolo estaria borrando a imagem que os judeus havia feito acerca do Messias, de que somente eles seriam dignos de salvação, entretanto, como vemos, Jesus tinha outros propósitos que muitos judeus da época não entendeu, como o de salvar a todos que nele cressem, para Jesus não importava a sua etnia, a sua língua, a sua cor ou países mas as almas perdidas do mundo.  
O resultado da conversa de Jesus com a samaritana foi um sucesso, depois que ele a convenceu de que era o Messias, ela foi testificar acerca dele, o que resultou na conversão de muitos samaritanos, sendo que muitos ao ouvirem e verem Jesus diziam: “Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo. 4:42”.
Depois disto Jesus fez outros sinais e prodígios em Judá e Galiléia, o que ocasionou na despeita dos lideres religiosos, algo que ele teve que lhe da depois da fama que corria sobre ele ser o Messias.

·     A oposição ao ministério de Jesus (5.1-12.50)


Nesse tópico trataremos de maneira resumida a oposição que Jesus sofreu, iremos entender o porque dessa oposição já que Ele mal algum fazia.
O apóstolo continua relatando milagres que Jesus havia feito, e no capitulo cindo vemos Jesus curando um paralítico que estava naquela situação a trinta e oito anos, o problema é que era sábado, dia sagrado para os judeus, mas por não entenderem sobre o propósito de Deus de terem um dia para adorarem, tornaram esse dia um fardo com tantas ordenanças desnecessárias. Por conta disso eles ao verem o paralitico curado no dia de sábado ficaram preocupados e foram tirar satisfação com Jesus, de o porque dele ter feito isso sendo dia de sábado, e Jesus responde de maneira bombástica “Meu Pai trabalha até agora e eu também” . Olhando bruscamente para essa frase não parece tão bombástica assim, mas é que ao Jesus dizer essas palavras, era equivaler que Ele era igual a Deus, o que os judeus religiosos consideraram como blasfêmia, pois na concepção deles a posição mais digna que ele poderia receber era de um profeta, mas de ser ele o Messias, era isso inaceitável. E por causa dessa declaração os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus (vs.18).
Depois disso Jesus fala um sermão falando acerca da sua missão e dizendo-se, ainda que indiretamente, ser igual a Deus. Não há duvidas da intenção do apóstolo ao relatar essas coisas, ele estava dizendo: “Jesus é o Messias”.
Jesus teve outras oposições, e isso é facilmente visto nos capítulos seis quando Ele afirma ser o Pão da Vida, no sete ele afirma ser a fonte de agua viva é importante ressaltar que alguns se perguntavam: Quando vier o Cristo, fará, porventura, maiores sinais do que este homem tem feito (vs.31). Capítulo oito Jesus diz: Eu sou a luz do mundo, no dez ele é o bom Pastor que da a sua vida pela as ovelhas, e mesmo que Ele tenha dado a sua vida, Ele tem poder para reavê-la (vs.10), no onze ele ressuscita um homem e no doze ele entra montado em um jumentinho para que se cumprisse a profecia de Zc. 9.9.
Todas essas passagens mostra-nos que Jesus era o Messias, pois os atributos seus (sinais, prodígios e palavras com tanta sabedoria) apontava como um cumprimento da profecia dos profetas messiânicos, tudo isso casou-lhe uma forte oposição devido à incredulidade dos mestres religiosos, o que desencadeou para a sua morte. Tudo isso nos impressiona, ao vermos a cegueira espiritual de muitos que enxergava Jesus como um líder politico, a qual eles pensavam que os libertariam do julgo romano.
Quantos de nós as vezes nos assemelhamos a essas pessoas, crendo em Jesus somente nessa vida. Paulo em sua primeira carta aos Corintios 15.19 disse: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” que o SENHOR nos guarde de tal postura.
·     Os últimos feitos e palavras de Jesus (13.1-21.25)                                      Caminhamos para as últimas palavras e feitos de Jesus, e não á duvidas que toda a história contada por João é dramática. Acredito que nesse evangelho o leitor é desafiado a deixa-lo de ler, é impossível começá-lo e não terminá-lo, com certeza ele é o evangelho mais vibrante que tem.
Agora nesses últimos capítulos, João da lugar a uma narrativa trágica e melancólica, é como que de repente ele mudasse o seu roteiro, e se envolvesse nele mostrando os últimos atos de Jesus com eles (os discípulos). Com certeza escrever esses últimos feitos de Jesus deve ter sido dolorido para João.
É quase impossível não relatar os acontecimentos nos capítulos seguintes, contudo não podemos perder o foco, então, vamos fazer uma síntese dos restantes capítulos do evangelho de João.
Nos capítulos seguintes João mostra algumas particularidades de Jesus, no capítulo treze ele nos mostra Jesus ensinando-os sobre humildade, no quatorze ao dezessete ele relata a preocupação de Jesus com os discípulos depois da sua partida, então tenta confortá-los com a promessa de outro consolador,  dizendo que mandaria outro consolador, para que ele não ficassem como órfãos, ou seja, como se não tivessem ninguém para os consolarem, depois ele da mais algumas instruções, explica qual será a missão desse consolador e por fim, no capítulo dezessete ele faz uma oração intercessora.
A emoção nesse evangelho é intensificada no capítulo dezoito, onde o apóstolo descreve Jesus no Getsêmani sendo preso, depois presente para um interrogatório, depois vai á presença de Pilatos onde com certa relutância, sentencia-o a crucificação, da crucificação á morte e da a ressurreição ao terceiro dia.
Tudo isso aconteceu com Jesus, que logo após procura se apresentar ao seus discípulos que ainda estavam meio duvidosos, depois da conquista da confiança dos discípulos, o apóstolo revela qual motivo de todo evangelho e ele diz: foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome (20.31).
·         As teologias encontradas no evangelho
Cristologia – A cristologia no evangelho de João é muito enfatizada, vemos isso em quase todo o evangelho.
Iremos mostrar algumas particularidades no evangelho de João de o porque de ele ter falando tanto sobre o assunto em apreço.
É possível que João ao escrever esse evangelho tivesse em partes o objetivo de refutar a seita gnóstica como já dita no prólogo, veja o que Roger Olson diz em seu livro História da Teologia Cristã:  “Certa tradição do século ll descreve o embate entre o discípulo João e um eminente mestre gnóstico de Éfeso por volta de 90 a.C. Cerinto talvez tenha sido um dos primeiros mestres gnósticos e perturbadores do cristianismo do final do século l. Conforme a tradição, João foi ao balneário público de Éfeso com alguns dos seus discípulose, ao entrar, percebeu que Cerinto estava ali. Então saiu apressado de lá, sem se banha, exclamando: ‘Saiamos depressa para que ao menos o balneário não desabe sobre nós, pois Cerinto, o inimigo da verdade, ali se encontra’” (História da Teologia Cristã. p.27)
Por esse motivo entendemos o porquê da frase do apóstolo que diz: “E o Verbo se fez carne”, sabemos muito bem que os gnósticos consideravam a carne impura ou corrompida, e devido a isso negava a existência de Jesus como Deus em carne.
Outro motivo de encontrarmos a Cristologia acentuada por João, é a defesa que ele faz contra as acusações dos judeus incrédulos que desacreditava em Jesus como o Messias (Cristo), e por isso o vemos insistindo tanto em Jesus como o Cristo (João 1:17,41; 4.25; 11.27; 20.31).
Isso Comprova satisfatoriamente que João tratou da Cristologia com objetivos importantíssimos para sociedade cristã daquela época.

Soteriologia – A soteriologia no evangelho de João se ocasiona da Cristologia ensinada por ele, se não cressem no Cristo como poderiam ser salvos? Veja: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste (jo.17.3)” . Mas antes vemos Jesus como salvador nos seguinte versos Jo.1.11-12, 29; 3.16-17; 4.42; 12.47; 14.6. João estava dando uma mensagem reflexiva, pois se não considerassem Jesus como o Cristo e o Filho de Deus, eles estavam colocando ou até mesmo perdendo a sua salvação, a chance de viverem a vida eterna. Há outros versículos que corroboram com a soteriologia no evangelho de João, mas eles são usados de uma maneira menos direta por usarem os termos como Luz do mundo, Pão da Vida, Fonte de agua viva e a Porta das ovelhas, todos esses, de certa maneira aponta para o Jesus como o Salvador.
Pneumologia – A doutrina do Espírito Santo no evangelho de João é reveladora quando analisamos cuidadosamente, mas antes é preciso entender o cenário.
Jesus estava se despedindo dos discípulos os preparando tanto para sua morte como a sua ida para o Céu, por conta dissa, é bem provável que os discípulos ficaram desnorteados pensando entre si, quem irá nos ensinar, ajudar, consolar. Jesus percebe essa preocupação da parte deles e começa a falar-lhes sobre o Espírito Santo.
E no capítulo quatorze versos dezesseis ele diz: “eu rogarei ao Pai, ele vos dará um outro Consolador, a fim de que seja para sempre convosco, o Espírito da verdade”
Quando Jesus diz outro (ἄλλον), ele estava falando que o Espírito Santo era outro do mesmo tipo, fazendo-lhes entender que eles não seriam abandonados, mas que esse Espírito faria as mesmas coisas que Ele fez.
Mas nas particularidades o Espírito Santo seria um Ajudador (vs.26), é muito interessante que a versão da Bíblia de Jerusalém nos traz a palavra “paráclito”  que quer dizer, chamado para ajudar. O Espírito Santo tem essa função, pois é Ele que nos ajuda nos momentos de fraqueza.
Seria o nosso Consolador nos momento de tristeza e angustia.
Seria o nosso Ensinado (vs.26), talvez os discípulos achavam que não poderiam obterem mas os ensinamentos maravilhosos de Jesus, por isso Jesus se antecipa a essa preocupação, afirmando que o Espírito Santo os ensinariam sobre tudo e vos fariam lembrar de tudo que ele havia dito enquanto esteve com eles.
Uma outra função do Espírito Santo seria o de convencer o ser humano do pecado, justiça e juízo (Jo.16.8-11) .

Conclusão

Deixo a conclusão baseada nesse versículo: “estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome. 

João 20:31”.
Ainda que identificamos outras particularidades nesse evangelho não há duvidas para qual tenha sido o seu propósito o qual foi enfatizado nesse artigo, de que Jesus é o Cristo o Filho de Deus.






Bibliografia
MARSHALS, I. Howard. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2007
CARSON, D. A. Introdução do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2007
COENEN, Lothar, BROW, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000
CHAMPLIN, Russell Norman. Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2002
CHAMPLIN, Russell Norman. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo: Hagnos, 2006
VINE, W. E. Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2002
OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. São Paulo: Vida, 2001
Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2010



[1] WIERSBE, Warren Wendel. Comentário Bíblico Expositivo do Novo Testamento. São Paulo: Geográfica editora, 2006, p.385


Jean Patrik